Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

É quando está só que se sente acompanhado

O ser humano passa toda a vida
Em busca de companhia e atenção
Receando o silêncio, a despedida,
A falta de carinho e a solidão.

Julga-se ignorado, esquecido,
Por Deus, familiares e amigos,
E de tez sempre entristecido,
Revolta-se contra todos os sentidos.

Caminha sem rumo em procuras inúteis
Que lhe preencham a alma ou o coração,
Mas de braço em braço, de mão em mão
Só encontra ansiedade e a depressão.

Raramente pára para se conhecer,
Evita assim o silêncio enobrecedor,
Para ouvir a voz doce do amanhecer,
E a afeição sincera do verdadeiro Amor.

“Onde está ele?” Pergunta o infeliz,
Tão agitado nas suas dores ilusórias
Que fecha a alma a quem assim o diz,
Ao invés de abrir a gaveta das memórias

E reconhecer essas formas de amar,
Esses tantos sinais de eterna beleza
Que o Pai criador pincelou na natureza
E nos ofereceu para nos elevar.

E é só quando ele está, aparentemente, só
Que ele repara o quanto é amado…

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